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Apresentar

verbalizado por Fábio, em 24.06.14

Caros leitores, cá estou eu para vos apresentar aquele que é o meu novo projecto! Trata-se de um podcast que eu já há muito que pensava em fazer! Está disponível para subscrição no iTunes e para ouvir sempre que quiserem em http://sonseecos.blogspot.com!

E perguntam vocês: "ah mas oh Fábio, o podcast é sobre quê?" Calma. Deixem-me acabar. Seus apressadinhos. Este é um podcast sobre tudo e sobre nada, às vezes. Com música nova, agenda cultural, textos lindos, bifanas, cachorros e farturas. É ouvir.

Agora não me chateiem mais e vão lá ouvir e carregar nos anúncios para eu poder salvar todos os golfinhos bébes da Amazónia.

Link directo para o episódio de estreia: http://sonseecos.blogspot.pt/2014/06/sons-e-ecos-1-22-de-junho-de-2014.html

Beijinhos e abraços ;)

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verbalizado às 01:40

Alancar

verbalizado por Fábio, em 01.06.14

A BILHA

Os caros leitores que, respeitosamente, nasceram com cú virado para a lua e têm gás canalizado em casa não percebem o flagelo que é ter o esquentador a funcionar com uma bilha de gás. Só quem tem bilhas é que me entende. Portanto este é um texto discriminatório à partida. 

Banho quentinho. Dia frio, gelado, um autentico verão soviético fora da casa de banho, mas a água corre quente pelo nosso corpo, corre quase a ferver, nada mais importa, não há mundo lá fora, não há problemas, só há um corpo numa banheira a relaxar, a descontrair, a descongelar...mas, de repente, ACABA O GÁS!!!! ACABA O GÁS!!! Percebem? Frio, de repente, frio! O calor soviético que estava só fora da casa de banho agora está, não só dentro da casa de banho, como dentro do nosso corpo. Um botão de teletransporte para o pólo norte!! Figuras ridículas de toalhinha ou, na pior das hipóteses - nas vossas - todo nú, a trocar bilhas do gás! E quando não há bilha para mudar? Pois é meus amigos! Pois é! Banhinho quente só no dia a seguir!!!

E os meus vizinhos não querem pôr gás natural porque "é perigoso". Pois. Não querem porque quem mora no segundo andar sou eu! Eu é que alanco com as bilhas cá para cima! Perigoso sou eu com uma bilha do gás na mão! Eu é que sou perigoso! Já dizia o Hitler. E se a Sónia Brazão morasse cá no prédio? Ah pois!

Adeus.

 

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verbalizado às 21:43

Olvidar

verbalizado por Fábio, em 05.04.14

As pessoas esquecem-se. Esquecem-se do passado. Esqucem-se de quem foram. Esquecem-se de ser boas. As pessoas inflamam-se e esquecem-se. Esquecem-se de nós, esquecem-se delas, esquecem que já trabalhámos, eventualmente, no crescimento individual uns dos outros.

Eu faço o que gosto. Trabalho horas. Esqueço-me de muita coisa. Mas não me esqueço de ser uma pessoa boa, uma pessoa grata, uma pessoa honesta. Mas isto sou eu, que não quero dominar o mundo. Quem quer dominar o mundo não pode ser honesto, quem quer dominar o mundo esquece-se dos amigos porque, afinal de contas, há um mundo para dominar... As pessoas esquecem-se que a vida não é um jogo. Ou pelo menos não é um jogo igual ao Candy Crush Saga.

As pessoas quando se chateiam, esquecem-se. Esquecem-se de muita coisa. Esquecem-se que, eventualmente já trabalhámos juntos. Esquecem-se que, eventualmente, trabalhamos todos horas a mais, em condiçoes adversas e já o fizémos juntos, eventualmente. Esquecem-se que já estivémos todos enterrados na lama até ao pescoço, esquecem-se que perdemos horas de sono por causa delas... Mas não se esquecem das coisas menos boas que preenchem o nosso passado. Disso não. Nem disso nem de um ditado popular qualquer que lhes dê jeito na altura. Esquecem-se doutros.... Ahhhhh as pessoas!

As pessoas esquecem-se de ser boas. E, para escrever isto, eu também tive de me esquecer de muita coisa.

Boa noite.

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verbalizado às 21:49

Separar

verbalizado por Fábio, em 23.03.14

"Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos...até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!" A autoria é atribuída, nos sites que consultei, a Fernando Pessoa. Não preciso acrescentar nada, só: boa noite :) Deixo um postal antigo:

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verbalizado às 21:03

Escrever

verbalizado por Fábio, em 08.02.14

Um dia vou escrever o livro da minha vida. Vou olhar para trás e pensar nas coisas que fiz. Nas coisas que não fiz e que devia ter feito…

No dia em que eu escrever o livro da minha vida, quando já for velhinho, espero, vou lembrar-me do quão melhor podia ter sido tudo se a minha cabeça não se negasse a trabalhar de vez em quando. Vou lembrar-me do quão melhor eu podia ter sido. No dia em que eu escrever o livro da minha vida vou escrever sobre a minha procura sobre o amor, sobre “as lágrimas da liberdade”, sobre o que custa crescer. Vou escrever sobre a minha entrega, sobre a minha vontade de realizar os sonhos e as vontades dos outros. No dia em que eu escrever o livro da minha vida não me vou esquecer de ninguém - às vezes esqueço-me; mas nesse dia não. Vou escrever sobre as minhas obsessões, sobre as minhas conversas com um psicólogo – que vão acontecer um dia - , sobre os meus amores, sobre os meus amores-perfeitos… Vou escrever sobre os abraços – que gosto tanto -, sobre os sorrisos, sobre os diferentes significados e cores das lágrimas que molharam os diferentes anos da minha vida. No dia em que eu escrever o livro da minha vida, vou escrever sobre as pessoas, sobre a importância delas, sobre o "sempre" e sobre o "nunca" e vou rir-me enquanto escrevo… Vou escrever sobre os espectáculos que fiz, sobre os espectáculos que vi, sobre a altura em que a minha relação com o teatro ficou como a relação daqueles casais juntos há 30 anos… Mas também vou escrever, espero, sobre quando a chama se reacendeu, quando descobri novas paixões, novos amores, sobre quando a vida voltou a fazer sentido e eu deixei de ser uma máquina a trabalhar em automático…. Afinal eu só tenho 23 anos. 24, daqui a duas semanas. E quando eu escrever o livro da minha vida vou escrever “o tempo…passou tão rápido.” Mas isto vai ser só quando eu escrever o livro da minha vida. Lá mais para a frente. Se tiver tempo e não for praxado numa praia qualquer.

No dia em que eu o escrever - o livro, da minha vida – não vou deixar páginas em branco. Só porque não quero. Ou se calhar vou. Se me apetecer. Se eu quiser. A vida é minha. O livro também. Às vezes não me apetece fazer nada – acho que é doença -… vou escrever sobre isto também. Sobre isto e sobre o facto de ter dificuldade em focar-me numa coisa. Já repararam, pelo texto, não é?

Um dia vou escrever o livro da minha vida. Ou então vou só editar este blog em livro. Chega bem. Parece-me. 

Ou, se calhar, vai só ser preciso carregar num botão, numa qualquer rede social.

Boa noite. E não vão para a praia trajados. Está frio. E ondas grandes.

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verbalizado às 20:39

Perfazer

verbalizado por Fábio, em 14.01.14

Há, precisamente, 7 anos começava assim: http://verbos.blogs.sapo.pt/436.html, pegando numa ideia que uma amiga - a Rita - me deu. No fundo ela não me deu, eu é que sou um idiota. A Rita só me disse "olha diz-me aí uns verbos. é para um trabalho". Eu disse. E tive esta ideia também.

Há 7 anos o design era feio. Agora ainda é. Tenho de tratar disto.

7 anos meus amigos. 7 anos de Verbos. 7 anos de vida. 7 anos de pessoas. De emoções. De mudanças. E vocês pensam "ah se querias escrever coisas para a tua mãe ler, madavas-lhe uma mensagem!" Têm razão. Mas vocês também estão vestidos com essas cores todas e eu não vos digo nada. Deixem-me.

Este é, mais ou menos, o livro aberto da minha vida. Deixado ao sol e à chuva durante 10 anos, escrito à mão, com páginas rasgadas e outras comidas pelos ratos mas, ainda assim, é o livro da minha vida. A certa altura perdi a caneta. Perdi a vontade. Depois deixei-me de merdas, seguindo o conselho da minha amiga Inês Amaro, e agarrei num teclado. Agora cá estou eu. Umas vezes bem, outras não. Preciso deste espacinho. Mesmo que ninguém cá venha.

Estes sete anos valeram-me 299 posts (dois ou três da autoria de outras pessoas, nomeadamente Olavo Silva e Rita Ferreira), 300 comentários, dois ou três destaques na página principal do Sapo - WOW!. Passei por muita coisa. Escrevi muita coisa que queria. Muita que não devia. Dexei muita coisa por escrever. Deixei muitos rascunhos inacabados aqui no backoffice, que sou eu posso ler e lamentar-me por não os ter publicado na altura certa. E este blog rege-se por duas ou três permissas, que eu agora não me lembro. Mas duas coisas que tenho sempre em consideração são: "a altura certa" para publicar uma coisa e "nunca repetir um verbo". Pois... têm razão. Já existe um post intitulado "Prefazer" (com erro ortográfico); já este está bem escrito, Perfazer - muito bem!... já para não falar dos outros 5 ou 6 que têm, pelo menos, dois posts aos quais dão titulo... Eu estou a querer enganar quem? Vocês. Consegui? Obrigado.

Podia aqui resumir estes 7 anos. Mas se quiserem saber mais sobre a minha vida vão ter de procurar, têm 299 posts para vasculhar. Uns para rir - pelo menos eu rio-me - outros não. Uns inflamados, outros não. Uns que parece ue "não fui eu que os escrevi", outros não. Uns feios, outros não. Uns com erros, outros... também. Mas a minha vida também é assim: cheia de erros. Cheia de Reticências.

Resta-me agardecer a todos os que passaram por aqui e a todos os que passam, diariamente na minha vida. Sem vocês isto não existia. Eu também não. Agradecimentos especiais: Olavo, Rita Neves, Rita Ferreira, Gonçalo Africano, Catarina Salgueiro, Joana Martins, Inês Amaro, Filipa Vasconcelos, André Mourato, Catarina Trindade, Pedro Manaças, Marco Silvestre, ao Rui Mário, ao Marco Martin, à Ana Trindade, à Inês Aguiar, ao Sérgio Salgueiro...e Obrigado aos que me esqueci também. Obrigado aos que conheço há 7 anos. Aos que conheço há 8. Aos que conheço há mais ou menos tempo.

Boa noite pessoas. E vão lá trocar de roupa que - não sei se já vos disse - essas cores não combinam.

Beijinhos.

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verbalizado às 03:06

Imortalizar

verbalizado por Fábio, em 09.01.14

E é isto, não é? Uma pessoa nasce, joga à bola como ninguém, vem para Portugal, é o melhor do mundo, acaba a carreira e acaba por partir, também.

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Mas vou, desde pequenino, ao Estádio da Luz, sou do Benfica desde que nasci e nem acompanho nada, nem sou fanático. Mas sou português. Nasci aqui neste rectângulo à beira-mar plantado. Cresci a ouvir falar no Eusébio -  e a ver uns lances, de vez em quando, a preto e branco, na televisão -, na Amália, no Almeida Garret, no José Saramago... no Camões, também... personalidades. Personalidades nossas que, bem ou mal, fazem parte da nossa cultura, da vida do nosso país. Quer queíramos, quer não. E este país, como sabem, vibra com o futebol. E, quer queiramos, quer não, a morte de uma personalidade como este Senhor é um marco maior do que a morte de 9 bombeiros no verão, por exemplo. É maior que a morte de um nosso ente-querido...Para o país. Para as pessoas. Percebem?

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Gosto de futebol - não lhe ligo muito, nem tenho tempo... vou vendo uns jogos- mas podia não gostar e, mesmo assim, o Eusébio ia fazer sempre parte da minha vida, enquanto marco histórico deste país; que, embora tenha sido menos lembrado quando terminou a carreira, ficou sempre na memória daqueles que vibraram com ele e dos que estavam ao lado daqueles que vibraram com ele...

Eu nunca vi o Eusébio jogar, a não ser a preto e branco, nas imagens de arquivo, empoeiradas, da RTP. E quando Ele morreu, fiquei triste. Uma tristeza estranha. Daquelas tristezas que se sentem quando conhecemos aquela pessoa, mesmo sem a conhecer, e ela, pura e simplesmente, desaparece. Daquelas tristezas quando parte da nossa história passa a ser tão e só francamente isso. História.

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Mas vi, na segunda-feira, um país a dizer-lhe adeus, a prestar-lhe homenagem. O Eusébio não é do Benfica, não é do Sporting, não é do Porto. O Eusébio é nosso. Quer queiram, quer não. Não se esqueçam que a cultura somos nós que a fazemos, que a mudamos, que a revisitamos. E o Eusébio faz parte dela. Da cultura de um país. Do nosso país.

Eu nunca vi o Eusébio jogar, mas sei que o Eusébio é de Portugal. E a Amália também.

foto: Nuno Ferreira Santos - Público

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verbalizado às 00:14

Balancear

verbalizado por Fábio, em 30.12.13

Chega a esta altura e toda a gente faz uma descrição ou uma lista de melhores e piores coisas que marcaram o ano que agora termina. Menos o meu tio Adelino. O meu tio Adelino não faz. E eu já lhe disse para ir acabar a quarta classe. Mas ele não quer. Então não faz... Mas de resto é tudo a fazer balanços. E eu, como me auto-incluo em "toda a gente" (quem não concordar com a minha auto-inclusão manifeste-se. mas só alguém que também faça parte de "toda a gente".), não podia ficar atrás. Cá está o meu balanço de 2013, sobre o país e o mundo:

 Em 2013 o mundo tirou uma semana para procurar carne de cavalo nos supermercados e para dançar o Harlem Shake. Nós, por cá, achámos que isso era para meninos então adicionámos o Grândola Vila Morena à playlist. O Zeca Afonso deu várias voltas no caixão. Presumo. Na senda das "voltas", o Senhor Armstrong - e não, não o que chegou à lua (esse morreu este ano também) - afinal punha aditivos na água para parecer o Fitipaldi de bicicleta....

Em 2013 estivemos acordados a noite toda pare ter sorte. E para ouvir a porra da música de Daft Punk o verão inteiro. Se fechássemos o olho um bocadinho, aparecia o Avicii com o Wake Me Up.

Em 2013 a Érica Fontes ganhou um prémio - o que prova que até a ser comidos somos bons - e os maquinistas da CP continuaram as greves. Estes dois assuntos não estão relacionados mas podem dar um bom nome para filme pornográfico, tipo "Comboio parado ainda apita" ou assim...

Em 2013 quizémos privatizar o país todo. Eu continuo a achar que mais valia fechar isto para obras, ou vender às parcelas, aos chineses. A parte que ardeu este verão vendíamos em Saldos. A outra parte, que foi fustigada pelo mau tempo em Fevereiro, com desconto.

Entretanto o Papa Francisco é um fixe - e já foi porteiro de uma discoteca e tudo -  e o Schumaker bateu com o trombil numa rocha a fazer sky e está em coma. Nada mau para um gajo que andou a 300 Km/h dentro de um Fórmula 1 durante 15 anos. Estou a falar do Schumaker. Espero. Porra, pelo menos o Paul Walker espetou-se com mais categoria. Mas este já não está entre nós.

Quem também nos deixou foi o Nelson Mandela. É a prova de que os heróis também morrem e que o Morgan Freeman devia pensar em fazer uma plástica. Deve ter a cara colada em 500 paredes ainda com "RIP Mandela" por cima.

Ora...portanto... está tudo não é? Ah! Espera...

O Blatter e a Pepsi Sueca gozaram com o Ronaldo, o governo quis limitar os animais de estimação por apartamento, o Manuel Maria Carrilho foi ao trombil da Bárbara Guimarães, a Milley Cirus... bom... passemos à frente, 6 jovens foram arrastados por uma onda no Meco "por causa das praxes" dizem os jornalistas....

Exacto. E depois? Depois os jornalistas passaram a ganza e ao fim do bocado voltou tudo ao normal. Menos a Milley. Essa não.

Chegamos à conlusão que os estupefacientes estão muito baratos e acessíveis a todos, quer neste país, quer no mundo. Acho que é isto. Ah! Falta-me perguntar uma coisa: chegaram a dar a mala à Pêpa?

 

Pronto.

Feliz Ano Novo.

Beijinhos no sitio onde a etiqueta da roupa faz comichão.

 

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verbalizado às 20:03

Pedir

verbalizado por Fábio, em 01.12.13

Querido Pai Natal,

Estamos em 2013. É dia 1 de Dezembro. E eu estou a escrever-te. Lembras-te da última vez que te escrevi? Nem eu. Não me lembro da ultima vez que te escrevi, mas lembro-me da festa que tu representas. A maior do mundo. Lembro-me de ser pequenino e ficar montes de tempo em frente à árvore de Natal a olhar para as luzinhas, quase a gozar com o meu astigmatismo. Lembro-me de montar a árvore com o meu pai, de fazer uma pomposa inauguração da decoração natalícia para a minha mãe ver, lembro-me de pôr os presentes lá debaixo, arrumadinhos - não sem antes os chocalhar a todos - e de pôr sempre uma carta para ti lá para o meio dos ramos. Todos os anos estava à espera de ver o "mundo encantado dos brinquedos" na televisão, de cantar junto com o passaroco amarelo gigante. Todos os anos ia àquela loja do R ao contrário - sempre me fez enorme confusão esta letra do avesso - ver e mexer naquelas magnificas maquinetas que andavam, brilhavam e faziam barulho! Acordava sempre às 7 da manhã para ver as tuas aventuras na televisão. Estavas em todo o lado! Na rua, nos centros comerciais.... nunca gostei muito de me sentar ao teu colo e tirar fotografias, mas gostava de olhar. De ver a árvore de Natal gigante que estava sempre atrás de ti... Era Natal! Natal era sinónimo disso tudo. Disso, do frio, do cheiro a lareira e do fumo das castanhas nas ruas, das luzinhas a brilhar em todos os cantos da cidade, do cheiro característico das luzes e da árvore de natal...! E o circo?! Ia sempre ao circo! Adorava aquilo tudo, principalmente os palhaços. Tinha de comprar sempre uma lanterninha daquelas cheias de fios de nylon.

O dia 24 era o dia mais importante do ano para mim. O dia em que culminava esta magia toda. O dia em que se abriam os presentes. Em que estava toda a gente junta a comer coisas doces. O dia em que havia sonhos. Dos doces e dos outros. Acordava cedo para te ver na tv, para ligar as luzinhas da árvore de natal e para esperar por ti o resto do dia. Mas a espera era dolorosa. Tantos presentes debaixo da árvore e eu tinha de esperar pela meia noite? Nem pensar. "Vou abrir o mais pequeno e molinho, posso?" perguntava eu sempre ao meu pai ou à minha mãe antes da hora do jantar. E abria. Normalmente eram meias. Ou cuecas. Ou um chocolate, quando era mais rijo. Entretanto chegava toda a gente, se o Natal fosse cá em casa. Se não lá íamos nós rumo a essa consoada. À meia-noite (ou uns minutos antes se os meus avós estivessem com sono) tu aparecias - ou mandavas sempre alguém representar-te, e bem - para distribuir os presentes. Confesso que até eu me fiz passar por ti já varias vezes e tão bem - modéstia à parte - que o meu primo acreditou que as tuas renas estavam estacionadas na varanda....

Entretanto cresci. Mas não é por isso que deixo de me fazer passar por ti, de adorar as luzes e o cheiro do Natal, de gostar do circo, dos desenhos animados e dos filmes de Natal. Não é por ter crescido que deixo de gostar de entrar na ToysRus, de ouvir a música da Leopoldina, de comer os doces e os pratos que se fazem por esta altura.... Não é por ter crescido que deixo de acreditar em ti, Pai Natal. Mas há gente que não me ajuda. E este ano não sinto grande espírito. Sinto que, aos bocadinhos, me vão tirando grande parte da magia do Natal. A música da Leopoldina já não se ouve, as juntas e as câmaras municipais estão mais interessadas em gastar dinheiro a pagar deslocações, almoços e jantares aos vereadores, do que a pintarem um bocadinho a cidade nesta altura, as televisões preferem programas com gente doida e aos berros, as miúdas vão para escola em cuecas de ganga (as que vão. E as que vão vestidas. E as que não engravidaram aos 13).... É por isto que te escrevo, Pai Natal. Para te pedir uma coisa, simples: não deixes a magia do Natal morrer. Não desapareças. Precisamos de ti. O mundo precisa de um Pai Natal. Ou de muitos. Esta é a maior festa do mundo. Mesmo que haja fome, doenças, desigualdade...mesmo que todas as pessoas não o possam festejar de igual maneira, mesmo que para muitos o Natal seja noutra altura....não deixes morrer a magia! As pessoas precisam de ser felizes, precisam de magia, precisam de acreditar, nem que seja só por um ou dois dias no ano. Mas não te esqueças que pode haver quem sinta mais a tua falta. Ajuda-os, Pai Natal. E ajuda-nos, a todos, a manter aquela que é a maior festa do mundo. Agora vou montar a minha árvore. Espero que esta carta te chegue, Pai Natal. Vou publica-lá no meu blog porque acredito que agora já tenhas acesso à internet.

Obrigado!

Cumprimentos,

Fábio.

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verbalizado às 02:56

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verbalizado por Fábio, em 19.11.13

Repetindo mais um titulo, mais um verbo. Só porque o que tem de ser tem muita força e porque o blog é meu e eu faço o que eu quiser.

Desafio-vos a procurarem pelo verbo "amar" neste blog. Aqui na caixa de pesquisa ao lado. Para além deste, vão aparecer mais três posts, que têm o verbo lá pelo meio, meio despercebido. Não há nenhum post com o titulo "amar". Não deixa de ser curioso. Pelo menos para mim. Tenho um blog, cheio de verbos, desde 2007 - 17 aninhos que lindo que eu era - e não escrevi nada em concreto sobre este tema. Hum... se calhar escrevi. Mas anda tudo camuflado pelos outros textos. Afinal de contas há sempre um amor. Um amor enorme pela familia, pelos amigos, pelas pessoas, pelas pessoas especiais, pela vida, pelo que gostamos! Mas e o outro? Onde está "aquele amor"? Esta estranha liberdade... E agora? "Estar à espera ou procurar?"

Senhoras e Senhores: Brass Wires Orchestra com Tears of Liberty, no Verbos.

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verbalizado às 02:00

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