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Chover

verbalizado por Fábio, em 30.11.08

A chuva corre-me pela face.

Cai violentamente, na noite escura.

Cai, cai e corre sem parar pela estrada negra

Corre tão depressa como os pensamentos

Como as imagens que passam pela minha cabeça

Acompanha-me.

Espero que me conte uma história

Que me explique o meu estado

E que me ajude a compreender melhor as pessoas.

 

Não está frio.

Ou pelo menos não o sinto.

Caminho até casa, sempre acompanhado por ela

Pela chuva.

Forte. Persistente.

Directamente na minha face.

Confunde-se. Confundo-me.

 

Tento arrumar as ideias.

Estavam arrumadas à cerca de duas horas.

Não estão.

Tento perceber.

 

Não consigo.

 

A chuva não ajuda.

Corre e não leva nada meu com ela.

Diz-me apenas que tenho de me habituar.

Diz-me que já nem devia estar assim.

Eu sei.

 

Tudo fica.

As imagens, os pensamentos.

Aqueles que tento arrumar.

 

Não consigo.

Parece que quando as coisas se compoeem,

São destruidas e misturadas a seguir.

 

Tento perceber porque estou assim.

Tento encontrar explicação.

Nada.

Só chuva.

Que não me explica, não me diz nada,

Que me possa acalmar.

Que me faça largar.

Que me faça esquecer.

 

A chuva mistura-se com as lágrimas.

Por não saber.

Por estar perdido.

 

Vagueio.

Sozinho.

Na noite.

 

A chuva não me explica.

Ignora-me.

Apenas me deixa passar.

Cai e corre. Livre.

Não se importa comigo sequer.

É chuva.

Só me acompanha até casa.

Única companhia.

 

Espero. Continua.

Tudo.

E a chuva.

 

Não espero nada.

Mesmo nada.

Só que passe.

Isto que não sei o que é.

Mas não é chuva.

 

Vou tentar dormir.

A chuva continua a cair la foa.

E eu preciso dum abraço.

 

 

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