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verbalizado por Fábio, em 01.12.13

Querido Pai Natal,

Estamos em 2013. É dia 1 de Dezembro. E eu estou a escrever-te. Lembras-te da última vez que te escrevi? Nem eu. Não me lembro da ultima vez que te escrevi, mas lembro-me da festa que tu representas. A maior do mundo. Lembro-me de ser pequenino e ficar montes de tempo em frente à árvore de Natal a olhar para as luzinhas, quase a gozar com o meu astigmatismo. Lembro-me de montar a árvore com o meu pai, de fazer uma pomposa inauguração da decoração natalícia para a minha mãe ver, lembro-me de pôr os presentes lá debaixo, arrumadinhos - não sem antes os chocalhar a todos - e de pôr sempre uma carta para ti lá para o meio dos ramos. Todos os anos estava à espera de ver o "mundo encantado dos brinquedos" na televisão, de cantar junto com o passaroco amarelo gigante. Todos os anos ia àquela loja do R ao contrário - sempre me fez enorme confusão esta letra do avesso - ver e mexer naquelas magnificas maquinetas que andavam, brilhavam e faziam barulho! Acordava sempre às 7 da manhã para ver as tuas aventuras na televisão. Estavas em todo o lado! Na rua, nos centros comerciais.... nunca gostei muito de me sentar ao teu colo e tirar fotografias, mas gostava de olhar. De ver a árvore de Natal gigante que estava sempre atrás de ti... Era Natal! Natal era sinónimo disso tudo. Disso, do frio, do cheiro a lareira e do fumo das castanhas nas ruas, das luzinhas a brilhar em todos os cantos da cidade, do cheiro característico das luzes e da árvore de natal...! E o circo?! Ia sempre ao circo! Adorava aquilo tudo, principalmente os palhaços. Tinha de comprar sempre uma lanterninha daquelas cheias de fios de nylon.

O dia 24 era o dia mais importante do ano para mim. O dia em que culminava esta magia toda. O dia em que se abriam os presentes. Em que estava toda a gente junta a comer coisas doces. O dia em que havia sonhos. Dos doces e dos outros. Acordava cedo para te ver na tv, para ligar as luzinhas da árvore de natal e para esperar por ti o resto do dia. Mas a espera era dolorosa. Tantos presentes debaixo da árvore e eu tinha de esperar pela meia noite? Nem pensar. "Vou abrir o mais pequeno e molinho, posso?" perguntava eu sempre ao meu pai ou à minha mãe antes da hora do jantar. E abria. Normalmente eram meias. Ou cuecas. Ou um chocolate, quando era mais rijo. Entretanto chegava toda a gente, se o Natal fosse cá em casa. Se não lá íamos nós rumo a essa consoada. À meia-noite (ou uns minutos antes se os meus avós estivessem com sono) tu aparecias - ou mandavas sempre alguém representar-te, e bem - para distribuir os presentes. Confesso que até eu me fiz passar por ti já varias vezes e tão bem - modéstia à parte - que o meu primo acreditou que as tuas renas estavam estacionadas na varanda....

Entretanto cresci. Mas não é por isso que deixo de me fazer passar por ti, de adorar as luzes e o cheiro do Natal, de gostar do circo, dos desenhos animados e dos filmes de Natal. Não é por ter crescido que deixo de gostar de entrar na ToysRus, de ouvir a música da Leopoldina, de comer os doces e os pratos que se fazem por esta altura.... Não é por ter crescido que deixo de acreditar em ti, Pai Natal. Mas há gente que não me ajuda. E este ano não sinto grande espírito. Sinto que, aos bocadinhos, me vão tirando grande parte da magia do Natal. A música da Leopoldina já não se ouve, as juntas e as câmaras municipais estão mais interessadas em gastar dinheiro a pagar deslocações, almoços e jantares aos vereadores, do que a pintarem um bocadinho a cidade nesta altura, as televisões preferem programas com gente doida e aos berros, as miúdas vão para escola em cuecas de ganga (as que vão. E as que vão vestidas. E as que não engravidaram aos 13).... É por isto que te escrevo, Pai Natal. Para te pedir uma coisa, simples: não deixes a magia do Natal morrer. Não desapareças. Precisamos de ti. O mundo precisa de um Pai Natal. Ou de muitos. Esta é a maior festa do mundo. Mesmo que haja fome, doenças, desigualdade...mesmo que todas as pessoas não o possam festejar de igual maneira, mesmo que para muitos o Natal seja noutra altura....não deixes morrer a magia! As pessoas precisam de ser felizes, precisam de magia, precisam de acreditar, nem que seja só por um ou dois dias no ano. Mas não te esqueças que pode haver quem sinta mais a tua falta. Ajuda-os, Pai Natal. E ajuda-nos, a todos, a manter aquela que é a maior festa do mundo. Agora vou montar a minha árvore. Espero que esta carta te chegue, Pai Natal. Vou publica-lá no meu blog porque acredito que agora já tenhas acesso à internet.

Obrigado!

Cumprimentos,

Fábio.

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