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Imortalizar

verbalizado por Fábio, em 09.01.14

E é isto, não é? Uma pessoa nasce, joga à bola como ninguém, vem para Portugal, é o melhor do mundo, acaba a carreira e acaba por partir, também.

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Mas vou, desde pequenino, ao Estádio da Luz, sou do Benfica desde que nasci e nem acompanho nada, nem sou fanático. Mas sou português. Nasci aqui neste rectângulo à beira-mar plantado. Cresci a ouvir falar no Eusébio -  e a ver uns lances, de vez em quando, a preto e branco, na televisão -, na Amália, no Almeida Garret, no José Saramago... no Camões, também... personalidades. Personalidades nossas que, bem ou mal, fazem parte da nossa cultura, da vida do nosso país. Quer queíramos, quer não. E este país, como sabem, vibra com o futebol. E, quer queiramos, quer não, a morte de uma personalidade como este Senhor é um marco maior do que a morte de 9 bombeiros no verão, por exemplo. É maior que a morte de um nosso ente-querido...Para o país. Para as pessoas. Percebem?

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Gosto de futebol - não lhe ligo muito, nem tenho tempo... vou vendo uns jogos- mas podia não gostar e, mesmo assim, o Eusébio ia fazer sempre parte da minha vida, enquanto marco histórico deste país; que, embora tenha sido menos lembrado quando terminou a carreira, ficou sempre na memória daqueles que vibraram com ele e dos que estavam ao lado daqueles que vibraram com ele...

Eu nunca vi o Eusébio jogar, a não ser a preto e branco, nas imagens de arquivo, empoeiradas, da RTP. E quando Ele morreu, fiquei triste. Uma tristeza estranha. Daquelas tristezas que se sentem quando conhecemos aquela pessoa, mesmo sem a conhecer, e ela, pura e simplesmente, desaparece. Daquelas tristezas quando parte da nossa história passa a ser tão e só francamente isso. História.

Eu nunca vi o Eusébio jogar. Mas vi, na segunda-feira, um país a dizer-lhe adeus, a prestar-lhe homenagem. O Eusébio não é do Benfica, não é do Sporting, não é do Porto. O Eusébio é nosso. Quer queiram, quer não. Não se esqueçam que a cultura somos nós que a fazemos, que a mudamos, que a revisitamos. E o Eusébio faz parte dela. Da cultura de um país. Do nosso país.

Eu nunca vi o Eusébio jogar, mas sei que o Eusébio é de Portugal. E a Amália também.

foto: Nuno Ferreira Santos - Público

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