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Desunir

verbalizado por Fábio, em 21.05.10

Não sou nem quero ser saudosista, mas ainda posso ter uma palavra, ou duas, a dizer sobre o sitio onde cresci e onde me formei. São elas (as palavras): bonito serviço!

 

Reticências. Eu olho para ali e penso: "Bolas! Não foi ali que eu cresci, não foi ali que eu me tornei no que sou hoje, não foi ali que arranjei os melhores amigos do mundo, não foi ali que tive uma paixão interminável, não foi ali que eu me mostrei, não foi ali que me profissionalizei, não foi ali que agarrei o teatro!" A questão é que foi. Foi tudo ali. Foi o Reticências, todos os que o compuseram e o Rui que me puseram onde estou. Estou muito grato. Agora olho para aquele palco e vejo desunião, inimizades, intrigas, vestígios de sorrisos inexistentes. E pergunto-me: o que é que se passa? Hum? No meu tempo as únicas intrigas que poderiam existir era "este gosta daquela ou desta, aquela anda com o outro..." coisas assim, normais, ou mais próximo da normalidade. E eu volto a perguntar: o que é que se passa? O que é que foi aquilo na Regaleira? Hum? O ano passado ainda tentei estar por lá e digo-vos que não gostei, e nunca pensei dizer isto de um grupo (que agora, para mim, se resume apenas a um nome: Reticências) onde passei os melhores anos da minha vida. Onde é que está o respeito? Onde é que está a vontade? Onde é que está o "tenho teatro na quarta e na sexta, yupi", o "tenho tantos testes, mas vou ao teatro", "tenho mil e quinhentos trabalhos para acabar e tanto que estudar mas vou ao teatro porque aquelas pessoas salvam-me o dia". Não. Ninguém sabe o que quer. Estão ali só porque há  um senhor com caracóis a dizer e a fazer umas coisas giras. Um senhor (como diz um amigo) que os meninos tratam por você. E o teatro, cá fora, não é assim. Não há desunião, nem desrespeito. Digo-vos eu, que sei. Que trabalho nisto. Não tenho galões para tirar cá para fora, não tenho 20 ou 30 anos disto (tenho 2), mas quem tem dirvos-á a mesma coisa.

 

Onde estão os toques de mãos, as danças intermináveis, os jogos de confiança, o choro comum, a gargalhada geral, a correria, o nervosinho conjunto, as corridas pela fonte do Campo Pequeno, as massagens, as cavalitas, as repreensões, a entre-ajuda, as viagens de autocarro, os passeios, as idas a Sintra à noite, os almoços, lanches e jantares? Onde está a união? Se eu cair agora, agarram-me?

 

A pergunta que me apetece fazer é: onde está a Catarina Salgueiro, a Catarina Trindade, o Manaças, a Rita, a Carolina, o Nuno, a Inês Amaro, a Mizé,  o Elisio, o Olavo, o Marco, o David, a Raquel Pêgo, a Nídia, a Filipa Vasconcelos, o Nuno Oliveira, a Noni, a Joana Lopes, a Ana Trindade, a Ângela e a Bárbara, daquele tempo? Todos juntos. Ali. Onde estão? Não estão. E claro que isto é parvo porque cada um tem a sua vida agora, mas é o que me apetece perguntar quando olho, agora, para aquele palco. E este é o meu blog e eu pergunto o que quero e bem me apetece.

 

Bem ou mal, foi ali que aquelas pessoas que eu disse conviveram, cresceram e passaram parte da sua vida, quer tenham seguido o ramo ou não. Não nos desrespeitem e acima de tudo não se desrespeitem a vocês (isto dito, atenção, por quem tem experiência em desrespeitar-se a si próprio).

 

E era isto tudo que eu tinha para dizer, claro que censurei as asneiras.

 

Bons sonhos. Até já.

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